quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A dor em busca de ventilação...

Nunca tive problemas com a dor, exceto quando ela se torna insuportável, vivendo seu êxtase e se tornando lancinante a cada segundo.

Não há meios de fazê-la parar e fugir me é ainda mais penoso do que a própria dor. Morfinas aliviam mas são paliativas e podem encobrir os verdadeiros efeitos, os necessários e mais esperados.

As lágrimas não trazem o soluço, a dor é que traz e leva embora o ar numa velocidade das trevas porque nestes momentos não há luz, nem uma faísca.

O nó se desfaz, nada quer permanecer, nem mesmo o tão conhecido nó que engasga. A fome se vai, o sono, a alegria, o sorriso, tudo que há de mais precioso.

Pelo menos os textos vêm, a escrita deslancha como avalanche traduzindo a fúria da alma. Gritar é preciso. Se fosse possível. Mas as forças se foram...

Os passos não são comedidos, mas são lentos. O ruído externo se torna ínfimo com a gritaria de dentro. Tudo grita, de dor, de desespero. A guerra sempre é barulhenta.

Ouvir os comandos do coração em meio à guerra é uma lição preciosa e quase impraticável em momentos assim...

O orgulho poderia impedir que eu pedisse socorro. Mas não permiti. Pedi, gritei, implorei, mas não havia ninguém... nem mesmo alguém. A não ser aqueles que encontrei e que após esbarrarem em mim e me escutarem de qualquer jeito trataram logo de mudar de assunto.

Pois é, o amor é para poucos, e doar-se para muito menos. Dar é melhor do que receber, uma lição que a dor me ensinou. Por isso ainda agradeço a dor, ainda a admiro, apesar de as vezes não suportá-la.

A dor tem o dom de nos ensinar coisas preciosas!

Mas não tenho aqui a intenção de reclamar, de atrair piedade, ou qualquer coisa do gênero. Apenas desabafo, apenas cuido de não explodir, apenas transbordo. E aqui estou dando explicações mais uma vez... não posso me conter!

Passo o dia e as horas me contendo. Para sobreviver é preciso disfarçar, é preciso equilíbrio, é preciso se conter, ter a capacidade de se guardar e de permanecer. Fixar os pés, os olhos, a boca (neste caso com um esparadrapo bem grande). Pelo menos em momentos assim.

Poucos são os que podem suportar a enxurrada que há em nós. Poucos tem o dom, a sensibilidade, o amor, a amizade... Amigos... vamos pular essa parte.

Sendo assim, termino... sem nenhuma empolgação não é? Não agora, não hoje. Ainda não. Quem sabe amanhã.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conduzida pela indignação!

Muito tem se falado e confesso que tenho visto pouca ação sobre a corrupção presente no cenário da nossa nação. E é sobre isso que quero falar. Hipocrisia nunca foi meu ‘sapo’ favorito para engolir, afinal quem mora na lagoa sabe do que estou falando. Ouço pessoas falarem mal dos políticos o tempo todo como se apenas política fosse sinônimo de corrupção e como não consigo deixar de me indignar com algumas coisas resolvi compartilhar com vocês...
Esses dias estava na fila da lotação e o fiscal que estava coordenando a fila deu um jeitinho da sua ‘amiga’ que estava no ponto passar na frente de todo mundo e ainda ‘deu’ carona para ela até o seu ponto, assim como fazem muitos motoristas dos ônibus e lotações do transporte público com seus amigos e familias.
Alguém é segurança de uma festa legal e consegue fazer com que seus amigos entrem ‘vip’ na festa.
E quantas pessoas que não conhecemos que não se utilizam de suas posições, ocupações e facilidades para beneficiar outras?
Poderia citar uma infinidade de fatos que presencio todos os dias, mas seria desnecessário, já que não conseguiria com isso aliviar minha indignação quando vejo hipocrisia latente presente em comentários de quem ‘se acha’ melhor que fulano ou cicrano dizendo: ‘Pelo menos eu não faço isso’. ‘Mas o que eu faço não se compara ao que ele fez ou faz’. Entre outras coisas que com certeza eu não sou a única a ouvir.
Basta haver um escândalo e os donos da moral e da ética de plantão surgem aos montes. Não estou fazendo apologia a apatia ou dizendo que não se deve haver senso crítico ou dar opinião, mas estou falando de julgamentos que fixam conceitos e imagens baseados em injustiças com uma carapuça de justiça.
Estou falando de pessoas com ‘toco de madeira no olho e reparando no cisco do olho alheio’.
Dar carona é também ‘burlar’ o sistema, portanto se beneficiar de um bem público, embora operado por uma empresa privada por concessão.
Permitir que alguém entre vip na festa sem pagar é beneficiar uma minoria mais próxima em detrimento de uma maioria que as vezes não vai a festa por não ter dinheiro para pagar.
Que diferença há dos escândalos do Senado e Governo Federal? É que ninguém denuncia? É que não se compara porque não prejudica ninguém? Não podemos arrumar desculpas.
O quintal do vizinho é sempre mais sujo. O erro do outro é sempre pior... mas a hipocrisia é sempre a mesma, a não ser que possamos assumir nossos erros e nos dispor a não misturar o público com o privado em qualquer instância ou hipótese.

Ah, desculpem pelo tamanho do post. Não consegui reduzir ainda mais a expressão da minha indignação! rs

Obrigada pela paciencia de todos e por aqueles que lêem e deixam comentários e os que não deixam também, mas estão sempre por aqui. Até.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Na falta da intensidade...


E tudo se perde com facilidade

Na falta da intensidade

Nesta cidade onde amanhece com sol

E se termina com dó pelo Si bemol

Da garoa na janela do chuveiro

Após a tempestade que entopiu a Brigadeiro

E o chocolate ferve na panela da garota

Que entediada encontra-se absorta

Com lagartas no estomago

Ao invés de borboletas, e no âmago

Um inebriante licor da angustia

Por não haver agora estia

Desse granizo fora de época

Desse tempo que não toca

A trilha sonora com a melodia

Da não-literária e nem por isso fria

História enfeitada por confetes

De quem está sempre prestes

A desgovernadamente sair da estrada

Ensandecidamente amordaçada

Por um amor

Sempre um amor...

Amar é... e lá se vão fórmulas e fórmulas

Frias, e de tão frias, póstumas

E tudo se perde com facilidade

Na falta da intensidade

E que a chama acenda outra vez

Nas cinzas da brasa, quase insensatez

e que seja sempre o amor...

o amor...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Seguindo em frente...


Hoje, exatamente hoje, os pensamentos que invadiram o cérebro quase em colapso, eram de uma mente cansada, sob uma forte pressão. Nessas horas prestar atenção nos detalhes e fazer diagnósticos e avaliações é complicado apesar dos devaneios crescentes que são instigados pelo caos aparente. O pior é que a tristeza que não é aparente e sem motivo algum numa análise superficial parece se aproveitar desta inconveniente situação e tornar nublado um dia com um sol tão quente, pelo menos interiormente, longe dos olhos de homens e mulheres que a cada dia tornam-se menos sensíveis e mais vulneráveis, por mais incrível que pareça. Bom e neste ponto volto ao inicio, no hoje. A reflexão passa pela insensibilidade apesar de ainda, por agora, não alcançar a vulnerabilidade. Os olhares dos seres humanos uns para com os outros estão cada vez mais superficiais e substituídos por relacionamentos virtuais, não fazendo alusão ao uso cada vez mais indiscriminado do espaço virtual, mas sim dos relacionamentos que tem sido construídos a partir das características virtuais, ou seja, com as máscaras, confortos e conformidades que este tipo de relacionamento pode trazer. Cada vez mais perde-se a capacidade de se expressar verbalmente, abraçar, estar presente na vida um do outro, olhar nos olhos e compreender o que se quer dizer, ir além do ‘tudo bem’ corriqueiro e desinteressado de quem pergunta esperando não obter outra resposta além do ‘tudo bem e você’, sendo apenas uma troca de gentilezas. Conversas sinceras de amigos que compartilham tudo uns com os outros, que se preocupam em conhecer, ajudar, ouvir, aconselhar, amparar, dar suporte. As relações se definham, os homens sentem-se cada vez mais solitários em meio a um imenso contingente populacional que encontram diariamente em sua rotina, as tristezas são cada vez mais profundas e indecifráveis, o amor se esfria e é substituído por juras de apaixonados que pensam que através de palavras alardeadas em alto e bom som estão de fato transmitindo amor. Uma vez li em certo lugar que amar é acreditar. Penso que isso de amar de fato deve ser assim. Sensibilidade é ver o mundo de uma forma única e intensa, é não ter medo de suportar o peso de compreensões ainda que desconexas e incompletas, mas que só de interagir com novas sensações nos fazem avançar, crescer, evoluir, prosseguir na busca de atingir a cada dia novos olhares às mesmas situações, compreendendo que estamos conectados uns aos outros e podemos lidar com nosso ego sem o egoísmo tão natural e enraizado e dessa forma atingir a alma do próximo, trocando experiências, edificando uns aos outros, consolidando, equilibrando. Apenas uma reflexão. Os olhos não conseguem enxergar uma forma de modificar o curso das relações da forma que estão hoje, a mente tem ao menos refletido, porém o coração incansavelmente trabalha para que o cérebro não só analise, mas lembre-se da sensibilidade, transmita ao corpo e acompanhe o compasso das batidas, impedindo que este ser humano endureça e vire apenas uma estátua, obra de arte feita para transmitir algo que não consegue viver, já que não tem vida.

Postado ao som de "Monte Castelo" de Legião Urbana

domingo, 29 de novembro de 2009

Considerações - Parte II

Quanta falta faz as vezes ter alguém... ter que lidar com a solidão não é tão ruim quando se gosta e tem necessidade de passar um tempo com você, mas o problema é o peso.

Todo chamado sempre vem acompanhado de uma capacitação para exerce-lo, portanto de poder para cumpri-lo. Mas não se engane, há também o peso e a responsabilidade.

Responsabilidade não tem a ver aqui com a obrigação, não é meramente isso, porque o amor é responsabilidade. Amar é ter responsabilidade, não porque te é exigido ou porque é obrigatório, mas porque quem ama cuida, zela, se preocupa e prefere vestir a armadura em cima do ferimento para salvar alguém. Assim, naquele momento se coloca no depois porque o outro vem no agora e ainda poupa quem está sendo salvo de sofrer ainda mais por sua própria ferida embaixo da armadura. Alguns há que dirão que se trata de egoismo, de orgulho, mas se olharmos um pouco mais, bem direto nos olhos de quem se propõe a fazer isso então compreenderemos que de fato a nossa visão limitada apenas contempla o exterior e que a melhor parte perdemos por julgamentos, incapacidade, insensibilidade e por exitar em se aproximar mesmo que seja um pouco mais. Neste momento as palavras são necessárias, mas o silêncio um pouco mais.

Porém a solidão de quem carrega certas compreensões é inevitável e de certa forma necessária em alguns momentos. Quem passa por isso pode compreender o que digo, sem ficar me julgando ou pensando: “Essa guria se acha!, quem ela pensa que é, se acha melhor que os outros, pensa que sabe mais”... Ei guris e gurias, a verdadeira humildade, que por um acaso é necessária para nos manter vivos entre as verdadeiras guerras que enfrentamos, é não se achar maior do que ninguém, mas não negar quem se é, nem se eximir de seu chamado, responsabilidade e missão. Estar no lugar certo é preciso, mas parado não adianta nada. E em certos momentos se dermos ouvidos mesmo às pessoas que mais amamos e as mais próximas com as melhores das boas intenções, vamos pegar atalhos, errar o caminho, perder tempo precioso, sair da rota e do foco. Isso mesmo, um guerreiro precisa ter disciplina, bem como o atleta e todos aqueles que tem alvos a serem alcançados. No meu caso, o alvo é o amor, sempre.


Obs: Postado ao som de "Coisas que eu sei" de Dani Carlos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Considerações - Parte I


Como é que a gente faz para precisar quando nem sabemos expressar o que está acontecendo e quando a vida tem nos levado toda a proximidade que se necessita? Sim, toda ela. Tem tanta gente me querendo perto e tão poucas ou quase nenhuma que saiba estar. Estar perto não é sugar, não é grudar, não é nem mesmo ficar sentindo pena quando vê alguém em situação dificil, mas é não ir embora, é não se negar a estar sempre... mesmo quando a geografia não facilita muito. E há tantos que insistem em ir sempre. Permanecer exige sacrificios, nem sempre ser o melhor, nem sempre ter toda a atenção... afinal se trata de dar e não apenas doar, como se estivesse fazendo caridade. E quando a gente dá não é algo que não tem apego, ou que não tem mais utilidade, pelo contrário é dar as vezes o que mais necessitamos, pois o amor é assim, e ele é sempre recompensador, pois suas recompensas são imateriais e portanto inabaláveis e imortais.

Amo. Mas ainda não o necessário. Amo. Mas meu coração ainda é frágil. Amo. Mas ainda tenho alguns medos, portanto ainda não estou aperfeiçoada nessa arte. Porque o amor é uma arte e é o próprio artista, capaz de criar e recriar coisas e pessoas como nenhum outro.

Penso, e sempre penso demais... e agora, penso sozinha. Penso se não deveria desistir de escrever, afinal, pensar é mais fácil do que escrever... e falar sempre é ruim pela sensação que me fica de estar falando sozinha ou ao vento... sejam palavras faladas ou escritas... mas luto, porque neste momento preciso permanecer.


Não posso estar perto de você, mas te sinto aqui. Não existe nenhuma placa de proibido até porque não andamos segundo as regras desse mundo. Mas ainda assim, te tenho aqui, e isso deveria bastar. As vezes explode porque sempre quero mais, porque nunca é o bastante. Mas tudo que é viciante me é proibido rs, até porque tenho lutas muito grandes que preciso vencer e se prender sempre me é perigoso. Tudo que me prendo, perco. E não vou te perder, te encontrei meio por acaso quando nem mesmo esperava, mas estaremos aqui pela eternidade, com vida mais do que podemos suportar sempre. E só saber que você está ai... e eu vou me virando por aqui...


Obs: Postado ao som de "Dê o seu melhor" - Raiz Coral

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior...



Descobri que nesse mundo estamos todos fadados a ser medianos, portanto medíocres.
Se você não gosta do que todo mundo gosta, ou não come o que todo mundo come ou não pertence às categorias estabelecidas você não é ninguém, não é nada.
Ainda se deixassem a gente ser ‘nada’ e ‘ninguém’ em paz ainda ia. Mas há sempre um da vigilância sanitária por perto com suas advertências.
Se o mundo tem remédio não se engane, vem com bula, receituário, tem prazo de validade, foi fabricado em algum lugar com uma química fajuta (porque as melhores são as que não podem ser fabricados, ex: paixão, amor) e é com certeza uma droga. Não digo o mundo, mas o remédio!

O que a maioria não compreende é que não preciso de drogas. Minha luta não é para fugir, escapar dessa realidade, mas é justamente permanecer nela.
E se sou abalada é quando tento me segurar em alguma coluna ou raiz que alguns dizem ser essencial para ser alguém confiável, sólido, razoável, racional e obter algum sucesso. Mas não busco prestígio, nem de melado eu gosto, não sou muito chegada a doce. Nem por isso não seja sensível.


Falo de mim aqui? Não sei. Talvez sim. Mas não apenas de mim, com certeza.
As vezes essa responsabilidade de explicar as coisas e de se fazer ser entendida me cansa um pouco. Não quero ser rude, apenas sincera.. Poderia dizer que quero ser clara, e isso também quero, mas as diferenças de visões confundem as definições do que é clareza ou escuridão, da simplicidade e confusão.

Uns há que acham estarem acima da média por seu intelecto e rebuscada escrita. Estes são ainda mais medianos e medíocres, já que mais uma vez não ultrapassam os limites, estes, burgueses e aristocratas.

Creio que nós, humanos, ou pelo menos os que se permitem ser, tenhamos cometido muitas falhas em nossos julgamentos sem côrte, em nossa justiça balanceada e desregulada. Fico imaginando quantos por romperem limites não foram taxados de rebeldes e marginais, sendo forçados a estarem na classe dos baderneiros e metidos a aventureiros sem imaginação ou nada mais a fazer.

Quantos não foram chamados de altistas, loucos, incapacitados mentalmente, retardados, anti-sociais, nerd’s, psicopatas, socioparas e tantas outras patas e animais.
Há ainda os metidos, convencidos, ‘cheios de querer ser’, inconvenientes... sim, nomenclaturas dedicadas muitas vezes àqueles que decidiram dar uma opinião contrária, perguntar o por quê todo mundo sempre concorda com tudo, num mundo onde é proibido pensar, discordar.

Até a idéia de preconceito foi confundida com a privação de opinião. Toda conduta só pode ser livre se ninguém opinar contra? Então somos eternamente escravos submersos numa oligarquia democrática.


Temo estar sendo mal interpretada. O caso aqui não é o reconhecimento, um pedido de ‘confetes’, ou superioridade, ou de medirmos nada. Minhas medidas nunca foram das melhores e sempre um tanto confusas. Se trata de lembrar daqueles que estão no mundo e não pertencem a ele. De dar a estes o direito de não morrer apenas por asfixia. Afinal, estes não tem medo da morte (pelo menos a maioria deles), mas de perder a capacidade de tocarem e serem tocados pela vida.

E como li essa semana: ‘Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas’. E estes cativaram a vida... e há tanta vida e tanto da vida nestes que não podemos simplesmente deixá-los morrer...

Obs: Postado ao som de 'I believe I cant fly' - R. Kelly