
Nunca tive problemas com a dor, exceto quando ela se torna insuportável, vivendo seu êxtase e se tornando lancinante a cada segundo.
Não há meios de fazê-la parar e fugir me é ainda mais penoso do que a própria dor. Morfinas aliviam mas são paliativas e podem encobrir os verdadeiros efeitos, os necessários e mais esperados.
As lágrimas não trazem o soluço, a dor é que traz e leva embora o ar numa velocidade das trevas porque nestes momentos não há luz, nem uma faísca.
O nó se desfaz, nada quer permanecer, nem mesmo o tão conhecido nó que engasga. A fome se vai, o sono, a alegria, o sorriso, tudo que há de mais precioso.
Pelo menos os textos vêm, a escrita deslancha como avalanche traduzindo a fúria da alma. Gritar é preciso. Se fosse possível. Mas as forças se foram...
Os passos não são comedidos, mas são lentos. O ruído externo se torna ínfimo com a gritaria de dentro. Tudo grita, de dor, de desespero. A guerra sempre é barulhenta.
Ouvir os comandos do coração em meio à guerra é uma lição preciosa e quase impraticável em momentos assim...
O orgulho poderia impedir que eu pedisse socorro. Mas não permiti. Pedi, gritei, implorei, mas não havia ninguém... nem mesmo alguém. A não ser aqueles que encontrei e que após esbarrarem em mim e me escutarem de qualquer jeito trataram logo de mudar de assunto.
Pois é, o amor é para poucos, e doar-se para muito menos. Dar é melhor do que receber, uma lição que a dor me ensinou. Por isso ainda agradeço a dor, ainda a admiro, apesar de as vezes não suportá-la.
A dor tem o dom de nos ensinar coisas preciosas!
Mas não tenho aqui a intenção de reclamar, de atrair piedade, ou qualquer coisa do gênero. Apenas desabafo, apenas cuido de não explodir, apenas transbordo. E aqui estou dando explicações mais uma vez... não posso me conter!
Passo o dia e as horas me contendo. Para sobreviver é preciso disfarçar, é preciso equilíbrio, é preciso se conter, ter a capacidade de se guardar e de permanecer. Fixar os pés, os olhos, a boca (neste caso com um esparadrapo bem grande). Pelo menos em momentos assim.
Poucos são os que podem suportar a enxurrada que há
Sendo assim, termino... sem nenhuma empolgação não é? Não agora, não hoje. Ainda não. Quem sabe amanhã.








